Nos últimos anos, tenho percebido algo muito comum entre mulheres com Hashimoto: o corpo pede por alívio. Não apenas emocional, mas físico.
Cansaço constante, pele reativa, inchaço, ganho de peso inexplicável, sono leve, nevoeiro mental e até alterações de humor… sintomas que, muitas vezes, não vêm só dos hormônios, mas da sobrecarga silenciosa de toxinas que o nosso corpo tenta processar diariamente.
Quando entendemos que tudo o que respiramos, tocamos e ingerimos precisa passar pelo fígado, percebemos o quanto esse órgão é central para a recuperação da tireoide. Afinal, é nele que ocorre a conversão do T4 (forma inativa) em T3 (forma ativa), o hormônio que dá energia, clareza mental e ritmo ao metabolismo.
Mas se o fígado está sobrecarregado, esse processo se torna mais lento, e os sintomas da Hashimoto se intensificam.
Desintoxicar não é sobre perfeição, é sobre consciência.
E quanto mais limpa for a sua rotina, mais clara será a sua conexão com o seu corpo, e com a sua cura.
Você já parou para pensar que, muitas vezes, passamos mais de 80% do nosso dia dentro de ambientes fechados?
Casas, escritórios, carros, academias, todos esses espaços podem esconder uma série de toxinas invisíveis, vindas de produtos de limpeza, cosméticos, móveis, tecidos e até da água que bebemos.
Estudos mostram que a concentração de poluentes dentro de casa pode ser até 5 vezes maior do que no ambiente externo. Essa exposição constante se soma a outros fatores já conhecidos por quem tem Hashimoto: gatilhos alimentares, estresse crônico, disfunção intestinal e carências nutricionais.
Onde as toxinas se escondem
1. Água da torneira
A água tratada pode conter flúor, cloro e metais pesados, todos com potencial de interferir nos hormônios da tireoide.
💡 Dica: invista em filtros de osmose reversa ou carvão ativado que removem flúor e contaminantes.
2. Panelas e utensílios de cozinha
Antiaderentes comuns liberam PFAs (“forever chemicals”) e alumínio quando riscam.
💡 Dica: prefira ferro fundido, cerâmica ou aço inox certificado.
3. Plásticos e embalagens
BPA, ftalatos e formaldeído estão presentes em muitos potes, garrafas e filmes plásticos, e imitam hormônios femininos.
💡 Dica: troque por vidro ou aço inox e nunca aqueça comida em recipientes plásticos.
4. Cosméticos e produtos de higiene pessoal
Xampus, hidratantes, perfumes e maquiagens convencionais contêm parabenos, triclosan e fragrâncias sintéticas, disruptores hormonais poderosos.
💡 Dica: procure marcas limpas, com ingredientes naturais e transparência de composição.
5. Produtos de limpeza doméstica
Desinfetantes, limpadores multiuso e amaciantes de roupa costumam liberar formaldeído e ftalatos.
💡 Dica: substitua por soluções naturais com vinagre, bicarbonato e óleos essenciais puros.
6. Velas, aromatizantes e incensos
Muitos contêm compostos orgânicos voláteis (COVs), prejudiciais ao sistema endócrino e respiratório.
💡 Dica: prefira velas de cera de abelha e aromatizadores à base de óleos essenciais.
7. Móveis, tecidos e carpetes
Podem liberar benzeno e formaldeído, interferindo na produção de hormônios.
💡 Dica: escolha móveis de madeira maciça e tecidos naturais como algodão, linho ou cânhamo.
8. Roupas lavadas a seco
O solvente mais usado, percloroetileno (PERC), é considerado cancerígeno.
💡 Dica: opte por lavanderias ecológicas ou tecidos laváveis em casa.
Como aliviar essa carga
A boa notícia é que pequenas mudanças diárias já fazem diferença.
Você não precisa eliminar tudo de uma vez , comece pelo que é mais fácil.
Troque um produto por semana, observe como se sente, e vá ampliando o cuidado.
Aqui estão 5 estratégias simples que aplico e recomendo às minhas leitoras:
Respire ar limpo: use purificadores de ar com filtros HEPA ou tenha plantas que filtram toxinas, como espada-de-são-jorge e jiboia.
Beba água pura: invista em um bom filtro e evite garrafas plásticas.
Apoie seu fígado: inclua alimentos como beterraba, limão, cúrcuma, coentro, brócolis e suplementos com glicina, NAC ou compostos de enxofre.
Suor terapêutico: saunas (convencionais ou infravermelhas) ajudam o corpo a eliminar metais e substâncias lipossolúveis.
Cuidado com o que toca sua pele: lembre-se que ela também “come”. Tudo o que passa na pele vai parar na corrente sanguínea.
Desintoxicação e a Remissão da Hashimoto
Durante meu processo de remissão, percebi que a desintoxicação ambiental é uma das etapas mais negligenciadas, e, ao mesmo tempo, uma das mais transformadoras.
Quando reduzimos a carga tóxica, o corpo ganha espaço para se regenerar, o fígado trabalha melhor, o intestino se equilibra, a mente clareia e os hormônios voltam a conversar entre si.
Cuidar da sua casa é cuidar do seu corpo.
Cada pequena troca de um filtro, uma panela, um novo hábito, é um ato de amor próprio.

